PRODUÇÃO ARTÍSTICA CONTEMPORÂNEA: INVESTIGANDO CENTROS DE INFORMAÇÃO EM
ARTE NO BRASIL
Alexandre Bastos Demétrio
Mônica Zielinsky
Carolina Breda
Silvia Bassani Ramos
RESUMO:
A produção artística contemporânea é objeto de constante discussão a respeito dos seus
limites, controvertidos pela diversidade de seus suportes, efemeridade das obras, pela
banalidade de suas manifestações e pela desmaterialização dos objetos, entre outros
aspectos. Nesse contexto complexo, temos como tarefa a sua catalogação e classificação.
A questão a ser resolvida no presente estudo é: de que modo os centros de informação
em arte no Brasil trabalham com informações referentes à produção contemporânea? São
objetivos da pesquisa averiguar o nível de profundidade, a abordagem e a forma
interdisciplinar como são tratadas as informações desse tipo. A metodologia utilizada é
comparativa, através de um instrumento de pesquisa, que atinge o público-alvo. Como
conclusões parciais até o presente momento, identifica-se que: poucos centros possuem
esse tipo de documento; os que possuem não os diferenciam no tratamento; não existe
uma preocupação maior com o conteúdo complexo dessa produção. Tais conclusões
levam-nos a questionar qual seria o tratamento ideal desses acervos, sugerindo
diferentes propostas de trabalho, tendo-se como estudo de caso o Centro de
Documentação e Pesquisa do PPG em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS.
Palavras-chave: arte contemporânea; documentação; centros de informação;
interdisciplinaridade; pesquisa em arte
http://74.125.45.104/search?q=cache:Y3U5r-f1md4J:www.ufrgs.br/propesq/livrosalao/alexandre.pdf+circuito+artistico&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=78&gl=br
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Berlim se torna atraente para mercado de arte
Berlim faz jus à tradição de capital das artes e concentra hoje o maior número de galerias numa cidade européia.
Até o próximo 15 de junho, a promessa dos organizadores da 5ª Bienal de Berlim é a de que a cidade respire arte dia e noite. Enquanto o programa diurno da mostra tem quatro estações com trabalhos recentes de artistas contemporâneos de todo o mundo, a oferta noturna tem nada menos que 63 eventos espalhados por toda a cidade. As exposições da Bienal são acompanhadas de concertos, shows, sessões de cinema, performances, palestras e oficinas.
A idéia é tornar público o que já se sabe há muito no circuito das artes plásticas, ou seja, que Berlim se tornou, nos últimos cinco anos, a cidade preferida dos galeristas e artistas na Europa. A Confederação das Galerias Alemãs (BVDG) registra que a capital alemã tem hoje 350 galerias. Outros especialistas acreditam que este número pode chegar até a 500, o que significa um número maior que o registrado em Nova York.
Metrópole (barata) das artes
"A atmosfera de Berlim como metrópole é muito atraente, não só devido à arte. Onde as coisas acontecem, seja no âmbito social, político ou artístico, estão obviamente presentes muitos artistas importantes, tanto do país quanto estrangeiros", diz Klaus Gerrit Friese, presidente da BVDG. Atrás dos artistas vieram a Berlim, então, incontáveis galeristas.
Bildunterschrift: Neue Nationalgalerie, um dos lugares que abriga eventos da Bienal de Berlim
Outro fator que atrai artistas à capital alemã é o fato de que "aqui se pode viver com muito menos dinheiro do que em outras cidades européias. Paga-se muito menos tanto por um apartamento quanto por um ateliê", lembra o galerista Martin Mertens. Para alugar a sua galeria num prédio onde estão também alojadas outras vinte galerias na Brunnenstrasse, no bairro Mitte, Mertens paga 400 euros por mês. "Em Paris, Hamburgo ou Londres teria que gastar muito mais", diz o galerista.
Longa tradição
A tradição de Berlim como "metrópole das artes" é longa e vem dos anos 1920, lembra o galerista Thomas Schulte no International Herald Tribune. Um dos fatores que propiciam essa atração exercida pela cidade sobre os artistas é sua localização, no centro da Europa. Embora interrompida durante o período do regime nazista, a cidade parece que vem recuperando toda a sua aura desde a queda do Muro, em 1989.
Uma questão, porém, paira no ar: como (sobre)vivem marchants e galeristas numa cidade que, de acordo com os padrões europeus, é considerada pobre e isenta de uma população com alto poder aquisitivo? Segundo Friese, há realmente boa parte da população da cidade sem poder de compra, embora isso não tenha tanta importância.
Mais relevante neste contexto é a fascinação e o movimento em torno do cena artística. "Além disso, todo mundo espera que, aos poucos, se crie um círculo bem estruturado de colecionadores como na região da Renânia. É esperar mais cinco anos para ver o que os números dizem".
Influência dos grandes colecionadores
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: O artista Tim Eitel, representante da 'Escola de Leipzig', mudou-se para BerlimNa opinião de Mertens, nem é preciso esperar tanto, uma vez que já são visíveis os sinais de aumento do poder aquisitivo no circuito artístico da cidade. Muito importante neste sentido, segundo ele, é a presença dos grandes colecionadores que se mudaram para a cidade e expõem suas coleções ao público, entre eles Boros, o casal Hoffmann, Haubrock e Schürmann.
Com a manchete Cada um constrói seu museu, o semanário Die Zeit publicou recentemente uma matéria sobre o poder que esses colecionadores adquiriram em Berlim. E como eles, desta forma, ditam os rumos da cultura alemã.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3255761,00.html
Até o próximo 15 de junho, a promessa dos organizadores da 5ª Bienal de Berlim é a de que a cidade respire arte dia e noite. Enquanto o programa diurno da mostra tem quatro estações com trabalhos recentes de artistas contemporâneos de todo o mundo, a oferta noturna tem nada menos que 63 eventos espalhados por toda a cidade. As exposições da Bienal são acompanhadas de concertos, shows, sessões de cinema, performances, palestras e oficinas.
A idéia é tornar público o que já se sabe há muito no circuito das artes plásticas, ou seja, que Berlim se tornou, nos últimos cinco anos, a cidade preferida dos galeristas e artistas na Europa. A Confederação das Galerias Alemãs (BVDG) registra que a capital alemã tem hoje 350 galerias. Outros especialistas acreditam que este número pode chegar até a 500, o que significa um número maior que o registrado em Nova York.
Metrópole (barata) das artes
"A atmosfera de Berlim como metrópole é muito atraente, não só devido à arte. Onde as coisas acontecem, seja no âmbito social, político ou artístico, estão obviamente presentes muitos artistas importantes, tanto do país quanto estrangeiros", diz Klaus Gerrit Friese, presidente da BVDG. Atrás dos artistas vieram a Berlim, então, incontáveis galeristas.
Bildunterschrift: Neue Nationalgalerie, um dos lugares que abriga eventos da Bienal de Berlim
Outro fator que atrai artistas à capital alemã é o fato de que "aqui se pode viver com muito menos dinheiro do que em outras cidades européias. Paga-se muito menos tanto por um apartamento quanto por um ateliê", lembra o galerista Martin Mertens. Para alugar a sua galeria num prédio onde estão também alojadas outras vinte galerias na Brunnenstrasse, no bairro Mitte, Mertens paga 400 euros por mês. "Em Paris, Hamburgo ou Londres teria que gastar muito mais", diz o galerista.
Longa tradição
A tradição de Berlim como "metrópole das artes" é longa e vem dos anos 1920, lembra o galerista Thomas Schulte no International Herald Tribune. Um dos fatores que propiciam essa atração exercida pela cidade sobre os artistas é sua localização, no centro da Europa. Embora interrompida durante o período do regime nazista, a cidade parece que vem recuperando toda a sua aura desde a queda do Muro, em 1989.
Uma questão, porém, paira no ar: como (sobre)vivem marchants e galeristas numa cidade que, de acordo com os padrões europeus, é considerada pobre e isenta de uma população com alto poder aquisitivo? Segundo Friese, há realmente boa parte da população da cidade sem poder de compra, embora isso não tenha tanta importância.
Mais relevante neste contexto é a fascinação e o movimento em torno do cena artística. "Além disso, todo mundo espera que, aos poucos, se crie um círculo bem estruturado de colecionadores como na região da Renânia. É esperar mais cinco anos para ver o que os números dizem".
Influência dos grandes colecionadores
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: O artista Tim Eitel, representante da 'Escola de Leipzig', mudou-se para BerlimNa opinião de Mertens, nem é preciso esperar tanto, uma vez que já são visíveis os sinais de aumento do poder aquisitivo no circuito artístico da cidade. Muito importante neste sentido, segundo ele, é a presença dos grandes colecionadores que se mudaram para a cidade e expõem suas coleções ao público, entre eles Boros, o casal Hoffmann, Haubrock e Schürmann.
Com a manchete Cada um constrói seu museu, o semanário Die Zeit publicou recentemente uma matéria sobre o poder que esses colecionadores adquiriram em Berlim. E como eles, desta forma, ditam os rumos da cultura alemã.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3255761,00.html
Deleuze
Deleuze dizia “Resistir é criar”. Só pelo fato de criar estamos resistindo aos valores dominantes. Não é necessário para isso fazer teatro politico ou engajado. O teatro e a escrita recolocam o corpo na sua densidade, fora dos fluxos controlados. Isso em si já é válido.
Tania Alice
Tania Alice
Tania Alice

Tania Alice é escritora, encenadora e doutora em Letras e Artes pela Universidade de Aix-Marseille I (França). Atualmente, é professora de Estética Teatral na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Escreveu e dirigiu, entre outros, Um breve retrato da dor (dá pra sentir), inspirado no trabalho da performer Sophie Calle, SerOuNãoSer.com (CE) e dirigiu O Amor de Fedra de Sarah Kane, em co-direção com Gilson Motta (MG/RJ). Publicou o livro infantil Todo mundo sabe! com ilustrações de Christophe Esnault (Omni Editora, 2005), a trilogia infantil Solo para Dona Tartaruga, Por Água Abaixo (ou: A incrível História de dois Peixes-Palhaço) e Segredo no Ar, com ilustrações de Sanzio Marden, bem como vários contos, poesias e ensaios em revistas, jornais e na Internet. Estréia com "Blue Note Insônia", prefaciado por Guiomar de Grammont, que será lançado após a sua apresentação em performance.A ENTREVISTA:
Disse Fernando Pessoa, por intermédio de Alberto Caieiro, ou vice-versa: “Se depois de eu morrer quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais fácil. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte”, por origem, pensando na África por onde andaram e viveram Pessoa e Arthur Rimbaud, o que é nascer na França e depois partir ao Brasil?
Tem um ditado que diz que quem pede identidade é a polícia. Gosto dessa idéia da Pós-Modernidade como geradora de identidades flutuantes, de seres moveis, em perpétua definição. Um pai gaúcho e uma mãe francesa, uma vida passada na França, na Alemanha, na Inglaterra, no Canadá e na Islândia acabam gerando um pensamento nômade. As vivências nós transformam e tentamos transformar essas vivências criando. Henry Miller diz que o artista vive duplamente: uma intensidade vivida e uma intensidade criada. Tudo se torna duplo.
Antes de chegar em definitivo ao Brasil, como imaginava a Lusitânia Brasileira ainda morando nas terras de Paul Verlaine?
Em Marseille, com seu cosmopolitismo, suas ruas bagunçadas, a música árabe, o convivio com todas as etnias, da Afríca do Norte à Cuba, eu trabalhava em uma associação que ajudava a resolver os documentos de brasileiros que chegavam na França. Luis Fernando Verissimo retrata com muito humor essa situação de chegada e adaptação. Nas chegadas, esperávamos no aeroporto o calor brasileiro. Fundamentalmente diferente do frio europeu que acaba esvaziando os relacionamentos humanos.
Que paralelos, você, Tania Alice, pode fazer entre as jovens poéticas realizadas na França e no Brasil?
Creio que a globalizazão, apesar dos efeitos econômicos e sociais desastrosos, teve como lado positivo a mixigenação cultural. Os meios de comunicação da mass midia (internet, televisão...) geraram um intercâmbio muito grande entre poéticas, que se tornaram híbridas. A diferença entre um poeta brasileiro radicado na França e um poeta francês radicado em São Paulo? Creio que seria dificil de definir. O paralelo, com certeza, é a resistência que ambos tem à grande máquina do “globalitarismo”, a resistência aos mecanismos produtivistas através da palávra, o engajamento no caminho artístico como um caminho irrevogável – mesmo se o preço dessa escolha é alto.
França com destino ao Ceará, como foi viver no Nordeste Brasileiro, e talvez sentir que realmente o Brasil são muitos Brasis?
O Nordeste é uma terra das mais acolhedoras. Há uma grande disparidade entre as condições econômicas e a qualidade das pesquisas artísticas, que infelizmente tem pouca visibilidade no circuito nacional. No Ceará, tive a oportunidade de trabalhar com artístas incríveis, como, por exemplo, o artista plástico Sanzio Marden (que realizou as ilustrações de três livros infantis meus), o artista plástico Wilson Neto, a pesquisadora e bailarina Andréa Bardawill e seu Centro de Pesquisa do Alpendre, o poeta Daniel Glaydson, o grupo de pesquisadores e artistas chamado “Peripécias”, que reune dramaturgos do Ceará como Pablo Assumpção (agora pesquisador em Nova York), Aldo Marcozzi (Professor da UVA/Sobral), Fran Teixeira (Professora do CEFET/CE) ou Marcos Barbosa (Professor da UFBA), sem contar nossa Cia “Atemporal33”, com a qual montamos vários trabalhos performáticos e espetáculos. Certamente estou esquecendo vários artistas, mas apesar das dificeis condições de inserção no circuito artístico nacional, a intensidade que une e motiva as pesquisas são comuns em todos os Brasis – em todos os países.
Desceu ao sudeste para Belo Horizonte, onde viveu de passagem, que diferenças são possíveis entre os povos abaixo e acima da Bahia?
É muito dificil descrever tal diferença sem cair no perigo da generalização. Não acredito na fixidade da identidade, então, é complicado generalizar. O Ceará, como o Rio de Janeiro, apesar das dificuldades geradas pelo contexto econômico e que acabam gerando reações como a violência e suas consequencias – uma forma de sair da invisibilidade para ir para a visibilidade - são duas experiências extremamente enriquecedoras.
Rápida como um relâmpago, saiu de Minas Gerais para morar no Rio de Janeiro, mesmo enfrentando uma viagem semanal a Ouro Preto, onde leciona Estética teatral na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), que desilusão aconteceu nos currais de Minas ou que ilusão ascendeu nos adros de São Sebastião?
Cada lugar do mundo tem seus encantos e suas dificuldades. A questão é encontrar um acordo, uma harmonia entre exterior e interior.
Sendo uma pessoa de Teatro e fazendo uma poesia híbrida, que limites ao leu existem entre as cenas das artes cênicas e as penas das artes poéticas?
A essência do teatro é coletiva. É uma criação conjunta, que gera uma dependência mútua entre todas as pessoas envolvidas, do cenotécnico ao dramaturgo, do cenógrafo ao iluminador, do encenador ao ator, do figurinista ao sonoplasta, do produtor ao programador visual, e por aí vai. Há uma moda que tende a cristalizar essa vivência coletiva com o rótulo de processo colaborativo. Mas todo teatro é colaborativo, coletivo, enfim, essa é a essência mesmo do teatro. A criação poética é individual. Depende de você, e das palavras e do silêncio da noite que as fazem aparecer na hora em que justamente, os outros não as estão usando.
Como foi encenar “O Amor de Fedra” da Sarah Kane com alunos da UFOP que integram o núcleo da Cia Partículas Elementares e depois enfrentar uma pequena temporada em Belo Horizonte no Teatro da Cidade?
A experiência da encenação foi muito estimulante, pois uniu uma pesquisa teórica – que ando desenvolvendo há algum tempo sobre a adaptação de clássicos na contemporaneidade – e prática, pois sempre tive vontade de montar esse texto de Sarah Kane. Sarah Kane é uma das maiores dramaturgas da atualidade, que se suicidou aos 29 anos, deixando textos de um impacto muito grande. A co-direção com Gilson Motta foi uma experiência extremamente enriquecedora, porque você cresce cotidianamente ao seu lado – artisticamente e humanamente. A disponibilidade e criatividade do elenco e de todas as pessoas envolvidas no projeto como os Professores Eloisa Brantes, Sandra Parra e Berilo Luigi, também foram fantásticas. Enfim, apesar das dificuldades, foi uma experiência muito interessante. A temporada em Belo Horizonte porém foi ligada a muitas dificuldades. O acessor de imprensa que escolhemos não divulgou o espetáculo, e com isso, tivemos pouco público. Mas esperamos voltar, em outras condições.
A exemplo de diretores de teatro que tanto fundam como afundam atores, o que realmente é preciso na construção de um personagem, pensando, por exemplo, nas experiências realizadas por Jersy Grotowski?
No teatro contemporâneo, o personagem é desconstruido. Principalmente na performance. O que se precisa para construir um personagem é complexo. Como referências principais nesse sentido, citaria as pesquisas sistematizadas de Stanislavski, como “A Construção do Personagem” ou “A preparação do ator”, que elaborou um verdadeiro sistema teatral nesse sentido. Claro, as pesquisas de Grotowski, que você citou, mas também Eugênio Barba, entre muitos outros, complementam de forma interessante essa pesquisa. Mas a resposta a essa pergunta merece um livro.
Se a vida é um palco ao vivo, como é possível a um intérprete transformar o eu sujeito em si em um outro, lembrando a frase de Arthur Rimbaud, “eu é um outro”?
A arte é por essência a abertura à alteridade. Por isso mesmo ela é a vida intensificada.
Ou seja encenar ou seja escrever, Tania Alice, ou seja viver, como é viver nesse Brasil onde vivemos uma jornada em crise de todos os partidos políticos, a arte é uma política, ou não saimos da pedra medieval?
Deleuze dizia “Resistir é criar”. Só pelo fato de criar estamos resistindo aos valores dominantes. Não é necessário para isso fazer teatro politico ou engajado. O teatro e a escrita recolocam o corpo na sua densidade, fora dos fluxos controlados. Isso em si já é válido.
A exemplo de uma bula-poema “Egolit” que andou pela internet, o que pensa sobre os artistas predadores e parasitas que vivem sobre o holocausto do ego?
Egolit é indicado para o tratamento da egocentricidade mórbida. Está disponível em todas as farmácias virtuais. Em outras palavras: tem cura.
Por marketing, como entender o jornalismo cultural quando a ordem dos primeiros cadernos de cultura é editar segundo a cópula de uma rendição capital?
No teatro, a gente se depara muito com essa questão da produção. Como entrar no circuito cultural, na divulgação dos cadernos de cultura é um pensamento que muitas vezes se opõe ao ideal do encenador, que precisa de tempo e concentração para a criação. Por isso, a figura do produtor se torna indispensável. Em poesia, já sabemos que o público é restrito, que não entramos em circuitos de rendição capital. A criação parte por outra via, as vezes – por isso mesmo – mais estimulante.
Antes de escrever “Blue Note Insônia”, o que viveu ou pensou que talvez tenha servido de provocação para essa escrita que é ao mesmo tempo poética e cênica?
“O homem só pode cometer um pecado: esse de não viver plenamente sua vida”, diz Henry Miller. Na medida do possível, tento não pecar.
Sendo a poesia um escrever em estado de cio, como afirmou Rainer Maria Rilke em um trecho de suas “Cartas a um jovem poeta”, pensando ainda em “Blue Note Insônia”, o que signica a epígrafe de José Saramago e a dedicatória a Gilson?
“Se pode crescer para nós uma flor sem limite é somente porque eu trago a vida aqui na voz” (Caetano Veloso). Na mesma música ele ainda diz: “O amor escraviza, mas é a única libertação”.
Escrever como quem perde a mão, lembrando um poeta anônimo, o que é preciso para empunhar os dedos e atravessar a página em branco?
Verificar quem está do outro lado...
Pensa que a poesia é um gênero da literatura ou isso não tem importância uma vez que tanto os poetas hibernam em silêncio como as escolas fecham as suas portas?
A poesia, talvez, é a arte mais distante das preocupações ligadas ao ego-trip, ao rendimento, ao desejo do reconhecimento, entre outros. A poesia é de essência espiritual... Abra a porta – o sol está atrás.
Você, Tania Alice, também publicou três livros infantis pelo projeto de ecologia “Manuelzão”, escrever é escrever e pronto, ou fazer literatura infantil é o mesmo que sair aos domingos com uma criança ao parque de diversões?
Há pessoas que fazem teatro infantil ou escrevem livros para crianças para poder sobreviver no grande Luna Park audiovisual, como diz José Saramago. Essa postura é uma das mais deprimentes que existem ao meu ver. As crianças são os leitores de amanhã, a poesia é constantemente presente no mundo infantil. A criatividade e a abertura de espírito das crianças é uma experiência fantástica. Creio que as crianças merecem a maior exigência no que diz respeito a criação. Esse tipo de criação parte de uma necessidade diferente, mas não menos intensa. No caso dos livros do projeto Manuelzão, juntou com uma preocupação ecológica: quem pode salvar o nosso planeta são as crianças, os leitores de amanhã.
Aliás, Tania Alice, puxando o mercado infantil como proa de salvação a muitos editores e escritores, será que vender fruta podre não seria o mesmo que imprimir estorinhas coloridas?
Existe um preconceito muito grande em relação à literatura e teatro infantil, devido, justamente, à essa literatura de consumo, que você define como “fruta podre”. Mas existem frutas verdadeiras, com o sabor de outros possíveis.
Ao reler a “Bonequinha Preta” de Alaíde Lisboa de Oliveira para a minha filha Jade, fiquei pensando em algo de antropologia, a minha pergunta é se você deseja uma escrita verdade que nasça da vida ou escrever é um mero exercício lúdico?
Creio que se não há necessidade, não há escrita... Para exercicios lúdicos, tem xadrez, baralho, outras coisas, enfim. Não algo tão vital como a literatura.
A sua “Blue Note Insônia” me parece uma realização poética nascida de uma experiência de vida, e mesmo que não seja, como é escrever com gotas de sangue e deixar ao leitor um sentido de verdade?
Talvez isso seja devido a uma perfusão poética distanciada no tempo... Veias ligadas pelas mesmas dores e pelos mesmos desejos, num espaço/tempo diferente.
Apenas experiência de linguagem ou habitar o olimpo de um dicionário é o mesmo que fantasiar um verso, uma estrofe, um poema, e libertar as letras como animais que jorram a ira?
As palavras curam, as palávras matam. O silêncio também. É a lição das trevas.
Por fim, apenas mais uma simples pergunta ao duplo, Tânia Alice, o que é poesia e o que é poema?
Poesia... Poesia é o potencial da vida revelado. O sol emergente em olhos deitados. Poema é um trecho dessa intensidade, quando ela se deixa captar e se faz palavra.
...........................................................................................................................................................*Wilmar Silva, poeta, é curador do projeto Terças Poéticas – realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através de uma parceria entre Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado.
Disse Fernando Pessoa, por intermédio de Alberto Caieiro, ou vice-versa: “Se depois de eu morrer quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais fácil. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte”, por origem, pensando na África por onde andaram e viveram Pessoa e Arthur Rimbaud, o que é nascer na França e depois partir ao Brasil?
Tem um ditado que diz que quem pede identidade é a polícia. Gosto dessa idéia da Pós-Modernidade como geradora de identidades flutuantes, de seres moveis, em perpétua definição. Um pai gaúcho e uma mãe francesa, uma vida passada na França, na Alemanha, na Inglaterra, no Canadá e na Islândia acabam gerando um pensamento nômade. As vivências nós transformam e tentamos transformar essas vivências criando. Henry Miller diz que o artista vive duplamente: uma intensidade vivida e uma intensidade criada. Tudo se torna duplo.
Antes de chegar em definitivo ao Brasil, como imaginava a Lusitânia Brasileira ainda morando nas terras de Paul Verlaine?
Em Marseille, com seu cosmopolitismo, suas ruas bagunçadas, a música árabe, o convivio com todas as etnias, da Afríca do Norte à Cuba, eu trabalhava em uma associação que ajudava a resolver os documentos de brasileiros que chegavam na França. Luis Fernando Verissimo retrata com muito humor essa situação de chegada e adaptação. Nas chegadas, esperávamos no aeroporto o calor brasileiro. Fundamentalmente diferente do frio europeu que acaba esvaziando os relacionamentos humanos.
Que paralelos, você, Tania Alice, pode fazer entre as jovens poéticas realizadas na França e no Brasil?
Creio que a globalizazão, apesar dos efeitos econômicos e sociais desastrosos, teve como lado positivo a mixigenação cultural. Os meios de comunicação da mass midia (internet, televisão...) geraram um intercâmbio muito grande entre poéticas, que se tornaram híbridas. A diferença entre um poeta brasileiro radicado na França e um poeta francês radicado em São Paulo? Creio que seria dificil de definir. O paralelo, com certeza, é a resistência que ambos tem à grande máquina do “globalitarismo”, a resistência aos mecanismos produtivistas através da palávra, o engajamento no caminho artístico como um caminho irrevogável – mesmo se o preço dessa escolha é alto.
França com destino ao Ceará, como foi viver no Nordeste Brasileiro, e talvez sentir que realmente o Brasil são muitos Brasis?
O Nordeste é uma terra das mais acolhedoras. Há uma grande disparidade entre as condições econômicas e a qualidade das pesquisas artísticas, que infelizmente tem pouca visibilidade no circuito nacional. No Ceará, tive a oportunidade de trabalhar com artístas incríveis, como, por exemplo, o artista plástico Sanzio Marden (que realizou as ilustrações de três livros infantis meus), o artista plástico Wilson Neto, a pesquisadora e bailarina Andréa Bardawill e seu Centro de Pesquisa do Alpendre, o poeta Daniel Glaydson, o grupo de pesquisadores e artistas chamado “Peripécias”, que reune dramaturgos do Ceará como Pablo Assumpção (agora pesquisador em Nova York), Aldo Marcozzi (Professor da UVA/Sobral), Fran Teixeira (Professora do CEFET/CE) ou Marcos Barbosa (Professor da UFBA), sem contar nossa Cia “Atemporal33”, com a qual montamos vários trabalhos performáticos e espetáculos. Certamente estou esquecendo vários artistas, mas apesar das dificeis condições de inserção no circuito artístico nacional, a intensidade que une e motiva as pesquisas são comuns em todos os Brasis – em todos os países.
Desceu ao sudeste para Belo Horizonte, onde viveu de passagem, que diferenças são possíveis entre os povos abaixo e acima da Bahia?
É muito dificil descrever tal diferença sem cair no perigo da generalização. Não acredito na fixidade da identidade, então, é complicado generalizar. O Ceará, como o Rio de Janeiro, apesar das dificuldades geradas pelo contexto econômico e que acabam gerando reações como a violência e suas consequencias – uma forma de sair da invisibilidade para ir para a visibilidade - são duas experiências extremamente enriquecedoras.
Rápida como um relâmpago, saiu de Minas Gerais para morar no Rio de Janeiro, mesmo enfrentando uma viagem semanal a Ouro Preto, onde leciona Estética teatral na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), que desilusão aconteceu nos currais de Minas ou que ilusão ascendeu nos adros de São Sebastião?
Cada lugar do mundo tem seus encantos e suas dificuldades. A questão é encontrar um acordo, uma harmonia entre exterior e interior.
Sendo uma pessoa de Teatro e fazendo uma poesia híbrida, que limites ao leu existem entre as cenas das artes cênicas e as penas das artes poéticas?
A essência do teatro é coletiva. É uma criação conjunta, que gera uma dependência mútua entre todas as pessoas envolvidas, do cenotécnico ao dramaturgo, do cenógrafo ao iluminador, do encenador ao ator, do figurinista ao sonoplasta, do produtor ao programador visual, e por aí vai. Há uma moda que tende a cristalizar essa vivência coletiva com o rótulo de processo colaborativo. Mas todo teatro é colaborativo, coletivo, enfim, essa é a essência mesmo do teatro. A criação poética é individual. Depende de você, e das palavras e do silêncio da noite que as fazem aparecer na hora em que justamente, os outros não as estão usando.
Como foi encenar “O Amor de Fedra” da Sarah Kane com alunos da UFOP que integram o núcleo da Cia Partículas Elementares e depois enfrentar uma pequena temporada em Belo Horizonte no Teatro da Cidade?
A experiência da encenação foi muito estimulante, pois uniu uma pesquisa teórica – que ando desenvolvendo há algum tempo sobre a adaptação de clássicos na contemporaneidade – e prática, pois sempre tive vontade de montar esse texto de Sarah Kane. Sarah Kane é uma das maiores dramaturgas da atualidade, que se suicidou aos 29 anos, deixando textos de um impacto muito grande. A co-direção com Gilson Motta foi uma experiência extremamente enriquecedora, porque você cresce cotidianamente ao seu lado – artisticamente e humanamente. A disponibilidade e criatividade do elenco e de todas as pessoas envolvidas no projeto como os Professores Eloisa Brantes, Sandra Parra e Berilo Luigi, também foram fantásticas. Enfim, apesar das dificuldades, foi uma experiência muito interessante. A temporada em Belo Horizonte porém foi ligada a muitas dificuldades. O acessor de imprensa que escolhemos não divulgou o espetáculo, e com isso, tivemos pouco público. Mas esperamos voltar, em outras condições.
A exemplo de diretores de teatro que tanto fundam como afundam atores, o que realmente é preciso na construção de um personagem, pensando, por exemplo, nas experiências realizadas por Jersy Grotowski?
No teatro contemporâneo, o personagem é desconstruido. Principalmente na performance. O que se precisa para construir um personagem é complexo. Como referências principais nesse sentido, citaria as pesquisas sistematizadas de Stanislavski, como “A Construção do Personagem” ou “A preparação do ator”, que elaborou um verdadeiro sistema teatral nesse sentido. Claro, as pesquisas de Grotowski, que você citou, mas também Eugênio Barba, entre muitos outros, complementam de forma interessante essa pesquisa. Mas a resposta a essa pergunta merece um livro.
Se a vida é um palco ao vivo, como é possível a um intérprete transformar o eu sujeito em si em um outro, lembrando a frase de Arthur Rimbaud, “eu é um outro”?
A arte é por essência a abertura à alteridade. Por isso mesmo ela é a vida intensificada.
Ou seja encenar ou seja escrever, Tania Alice, ou seja viver, como é viver nesse Brasil onde vivemos uma jornada em crise de todos os partidos políticos, a arte é uma política, ou não saimos da pedra medieval?
Deleuze dizia “Resistir é criar”. Só pelo fato de criar estamos resistindo aos valores dominantes. Não é necessário para isso fazer teatro politico ou engajado. O teatro e a escrita recolocam o corpo na sua densidade, fora dos fluxos controlados. Isso em si já é válido.
A exemplo de uma bula-poema “Egolit” que andou pela internet, o que pensa sobre os artistas predadores e parasitas que vivem sobre o holocausto do ego?
Egolit é indicado para o tratamento da egocentricidade mórbida. Está disponível em todas as farmácias virtuais. Em outras palavras: tem cura.
Por marketing, como entender o jornalismo cultural quando a ordem dos primeiros cadernos de cultura é editar segundo a cópula de uma rendição capital?
No teatro, a gente se depara muito com essa questão da produção. Como entrar no circuito cultural, na divulgação dos cadernos de cultura é um pensamento que muitas vezes se opõe ao ideal do encenador, que precisa de tempo e concentração para a criação. Por isso, a figura do produtor se torna indispensável. Em poesia, já sabemos que o público é restrito, que não entramos em circuitos de rendição capital. A criação parte por outra via, as vezes – por isso mesmo – mais estimulante.
Antes de escrever “Blue Note Insônia”, o que viveu ou pensou que talvez tenha servido de provocação para essa escrita que é ao mesmo tempo poética e cênica?
“O homem só pode cometer um pecado: esse de não viver plenamente sua vida”, diz Henry Miller. Na medida do possível, tento não pecar.
Sendo a poesia um escrever em estado de cio, como afirmou Rainer Maria Rilke em um trecho de suas “Cartas a um jovem poeta”, pensando ainda em “Blue Note Insônia”, o que signica a epígrafe de José Saramago e a dedicatória a Gilson?
“Se pode crescer para nós uma flor sem limite é somente porque eu trago a vida aqui na voz” (Caetano Veloso). Na mesma música ele ainda diz: “O amor escraviza, mas é a única libertação”.
Escrever como quem perde a mão, lembrando um poeta anônimo, o que é preciso para empunhar os dedos e atravessar a página em branco?
Verificar quem está do outro lado...
Pensa que a poesia é um gênero da literatura ou isso não tem importância uma vez que tanto os poetas hibernam em silêncio como as escolas fecham as suas portas?
A poesia, talvez, é a arte mais distante das preocupações ligadas ao ego-trip, ao rendimento, ao desejo do reconhecimento, entre outros. A poesia é de essência espiritual... Abra a porta – o sol está atrás.
Você, Tania Alice, também publicou três livros infantis pelo projeto de ecologia “Manuelzão”, escrever é escrever e pronto, ou fazer literatura infantil é o mesmo que sair aos domingos com uma criança ao parque de diversões?
Há pessoas que fazem teatro infantil ou escrevem livros para crianças para poder sobreviver no grande Luna Park audiovisual, como diz José Saramago. Essa postura é uma das mais deprimentes que existem ao meu ver. As crianças são os leitores de amanhã, a poesia é constantemente presente no mundo infantil. A criatividade e a abertura de espírito das crianças é uma experiência fantástica. Creio que as crianças merecem a maior exigência no que diz respeito a criação. Esse tipo de criação parte de uma necessidade diferente, mas não menos intensa. No caso dos livros do projeto Manuelzão, juntou com uma preocupação ecológica: quem pode salvar o nosso planeta são as crianças, os leitores de amanhã.
Aliás, Tania Alice, puxando o mercado infantil como proa de salvação a muitos editores e escritores, será que vender fruta podre não seria o mesmo que imprimir estorinhas coloridas?
Existe um preconceito muito grande em relação à literatura e teatro infantil, devido, justamente, à essa literatura de consumo, que você define como “fruta podre”. Mas existem frutas verdadeiras, com o sabor de outros possíveis.
Ao reler a “Bonequinha Preta” de Alaíde Lisboa de Oliveira para a minha filha Jade, fiquei pensando em algo de antropologia, a minha pergunta é se você deseja uma escrita verdade que nasça da vida ou escrever é um mero exercício lúdico?
Creio que se não há necessidade, não há escrita... Para exercicios lúdicos, tem xadrez, baralho, outras coisas, enfim. Não algo tão vital como a literatura.
A sua “Blue Note Insônia” me parece uma realização poética nascida de uma experiência de vida, e mesmo que não seja, como é escrever com gotas de sangue e deixar ao leitor um sentido de verdade?
Talvez isso seja devido a uma perfusão poética distanciada no tempo... Veias ligadas pelas mesmas dores e pelos mesmos desejos, num espaço/tempo diferente.
Apenas experiência de linguagem ou habitar o olimpo de um dicionário é o mesmo que fantasiar um verso, uma estrofe, um poema, e libertar as letras como animais que jorram a ira?
As palavras curam, as palávras matam. O silêncio também. É a lição das trevas.
Por fim, apenas mais uma simples pergunta ao duplo, Tânia Alice, o que é poesia e o que é poema?
Poesia... Poesia é o potencial da vida revelado. O sol emergente em olhos deitados. Poema é um trecho dessa intensidade, quando ela se deixa captar e se faz palavra.
...........................................................................................................................................................*Wilmar Silva, poeta, é curador do projeto Terças Poéticas – realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através de uma parceria entre Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado.
O Avô
Frases do Avo para Alice
A Alice tambem tem razão nesse lance de machos do grupo. não é toda mulher que acha da hora ser chamada de "véio" e etc...
Pra ser mais claro: O avô quis dizer o seguinte: A menina Alice tem de parar de falar girias...
Aprende falar direito minina...
A Alice tambem tem razão nesse lance de machos do grupo. não é toda mulher que acha da hora ser chamada de "véio" e etc...
Pra ser mais claro: O avô quis dizer o seguinte: A menina Alice tem de parar de falar girias...
Aprende falar direito minina...
O Pintor respondeu
Pétalas sensíveis???? ????????? ????????? ????????AHHHHHHHHHHHHHHHH ALICE ACORDA VELHO!!!!!!! !!!!!!!!! !!!
Gente é gente, e todos nós somos amigos vc tá querendo o que? Uma separação de gêneros!!!!!! !!!!!!!!! !!!!!!!!! !!!!!???? ????????? ????????? ??????
O Pintor tem toda a liberdade de pitar na história pois é ele quem vai colori-la... Mas só confio nele pois ele nos da a possibilidade de também escolhermos as cores para compor toda a pintura...
Gente é gente, e todos nós somos amigos vc tá querendo o que? Uma separação de gêneros!!!!!! !!!!!!!!! !!!!!!!!! !!!!!???? ????????? ????????? ??????
O Pintor tem toda a liberdade de pitar na história pois é ele quem vai colori-la... Mas só confio nele pois ele nos da a possibilidade de também escolhermos as cores para compor toda a pintura...
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