Gente, madei o AUTO pra Fabi pra ela dar algumas opiniões para melhorá-lo, vejam ai...
Valeu Fabi...
Bjinsss...
"Olá,
bom não entendi se você quer opiniões sobre a idéia ou sobre o texto, isto é, se o texto será publicado ou algo do gênero.
Fiz uma leitura crítica, que talvez fique confusa por isso. Uma coisa é focar no texto outra é ler o Auto como uma espécie de roteiro ( neste caso haveria poucas coisas para mudar).
Então os apontamentos que fiz vão nas duas direções, mas depois de esclarecido isso posso fazer um trabalho melhor.
Me parece que o auto está estruturado para ser encenado, ou melhor, filmado. Achei-o bem cinematográfico...com a mescla dos planos temporais e espaciais.
Se for para ser lido, um texto, há algumas coisas que precisam ser desenvolvidas. De um ato para o outro há um vão na história. São como cenas, enquetes de uma história que devemos construir?
Como um todo gostei, achei interessante e poético. Alice me lembra um herói épico, como Ulisses , também alguns trechos de conto de fadas etal. O processo de busca dela é um processo de amadurecimento, de crescimento tanto para a vida - vendas são rasgadas, as pessoas não são tão boas assim, há tristeza, injustiça..- ,coisas que talvez naquela cidade pequena ao lado da proteção do avó ela não percebesse...não soubesse. Também penso num amadurecimento para o amor, o que será que motiva a jornada dela...me soa uma paixão – correspondida- entre ela e Teotônio.
A travessia é importante. E o percursso mostra isso, mas acho que o final lembra muito o começo, a coisa perfeita...ela teve mudanças, certo? Talvez o final possa ser feliz, mas uma felicidade diferente...não tão igênua e mágica. Afinal ela cresceu internamente...lutou por algo.
E esse narrador? Ficar atenta a ele.... "
Têm maisssssssssssss...
O AUTO DO REALEJO ENCANTADO
I ATO
Praça com personagens da estória em atividades corriqueiras. Ao fundo, pelas janelas, O Avô desenha.TEOTÔNIO toca seu realejo.Seus olhos procuram uma pessoa cheia de sorte para ele tirar [tirar? Mesmo com a alusão feita acima – do realejo- é bom deixar mais claro...tirar a sorte ou o papelzinho (bilhete) da sorte?], mas sua mente divaga por memórias de um tempo muito mais feliz.Teotônio fora um artista de circo, que vivia para alegrar as pessoas.Um dia, porém, as risadas deram lugar a gritos de socorro; o fogo veio, destruiu o circo e o pouco que o pobre palhaço possuía.Amargurado, Teotônio decidiu então tomar de volta toda a alegria [pode escolher outro adjetivo pra não ficar repetindo a palavra “alegria” sempre...já foi usada, ou substituir por outra no momento anterior: “que vivia para fazer bem às pessoas, fazer as pessoas sorrirem] que havia dado aos outros, e para isso capturou uma ave encantada capaz de roubar a sorte dos outros e a aprisionou dentro de um realejo.[Ok. Mas só um adendo..a sorte não é a única coisa capaz de dar alegria, certo?]Desde então, ele vaga pelo mundo tirando a sorte de quem lhe der duas moedas em troca de um bilhete da fortuna. [ a palavra sorte também aparece muitas vezes num curto espaço de tempo, o trabalho formal de um texto consiste em olhar detidamente para cada palavra procurando sinônimos e tal. Assim o texto fica mais rico, com mais imagens).Assim Teotônio viajou muito, até que um dia chegou a uma praça e viu uma menina muito especial. Pensando em roubar sua sorte, o realejeiro envia seu pássaro até ela. ALICE dormia na relva quando o PASSARIN a despertou e ambos foram ao realejeiro. Curiosa, Alice indaga a Teotônio sobre a origem daqueles bilhetinhos todos que o realejo carrega. O papo cria pernas e os dois passam muito tempo juntos conversando e brincando.Chegada a manhã, Teotônio decide que é hora de tirar a sorte da mocinha, mas o Passarin intervém e o bilhete se rasga, ficando uma metade com Alice e outra no bico da ave.A voz do Avô desperta Alice, que se vê outra vez na grama da praça.Entristecida, Alice volta para casa e se põe a pensar:“terá sido um sonho?”O bilhete da sorte rasgado em seu bolso dizia que não.( gostei bastante da idéia, fica então implícito que Teotônio é um andarillho, viajante sem rumo e Alice mora nesta cidade. O que será que ela tem de especial? O que Teôtonio vê ou sente que lhe chama a atenção? Você poderia descrever mais...assim não ficaria somente o narrador afirmando “viu uma menina especial”. A sacada com a idéia de tirar a sorte, ambigüa, é ótima, mas deve ficar mais clara ( sem precisar explicar), acredito que no começo é um bom momento pra isso, naquela hora do “tirar”) II ATORestaurante decadente de beira-de-estrada, vulgo taberna.Teotônio vai mal, toda a sorte que ele havia roubado das pessoas se perdera no instante em que o bilhete de Alice se rompeu, além disso lhe acompanhava uma estranha saudade dela.Ele acaba arranjando confusão com um SUJEITO MISTERIOSO e toma uma sova. Finalmente expulso do bar, todo destrambelhado e arrastando seu realejo, ele toma uma decisão:“Vou encontrar Alice, nem que tenha que descer ao mundo dos mortos!”No sertão árido, Alice está sentada em uma pedra, contemplando a encruzilhada à sua frente sem saber para onde ir.( ela tembém resolveu ir embora da cidade? Por que? Explicitar?)O som de uma viola vem lhe acariciar os ouvidos, vindo não se sabe da onde. Encantada com aquele som que diminui a sua angústia, ela nem se dá conta do VIOLEIRO que vem se aproximando.( é o violeiro que está tocando?! Se sim e se ela está encantada pelo som não é difícil que não perceba ele?)Eles começam a conversar e o Violeiro lhe conta muitas estórias; vendo que ele é um homem muito sabido, Alice pergunta que caminho deve tomar.Ele só consente em responder se ela lhe dê algo em troca.Alice se desculpa dizendo:“A única coisa que tenho é esse bilhetinho da sorte, mas isso eu não posso te dar.”O Violeiro, muito esperto, retruca:“Não tem problema, como gostei de você vou fazer uma concessão: indico o caminho certo e você me dá só a sua alma, feito?”“Feito”Os dois adormecem e quando Alice acorda, nota que o violeiro se foi, porem deixou a viola como um presente para ela.Alice caminha por vários dias, e vê muitas coisas até que chega a uma floresta enorme, onde encontra um rio que ela não consegue atravessar.(por que ela que atravessá-lo? Ela poderia simplesmente mudar a rota. É necessário explicitar).Uma mulher cavalgando uma canoa se aproxima. É a JANGADEIRA que explica que aquele rio se chama Aqueronte e que pode lhe dar carona se ela lhe der algo em troca.Alice se desculpa dizendo:“A única coisa que tenho são essas moedas e meu bilhetinho da sorte, mas isso eu não posso te dar.”(muito legal essa estrutura de repetir um refrão)A Jangadeira aceita as moedas e as duas seguem rio abaixo, quando de repente a água do rio se torna vermelha e agitada, tingida pelo sangue dos animais que os homens assassinam nos matadouros, ali próximos. (se Alice tinha moedas por que ela não deu ao violeiro? Pois ela não sabia que iria precisar de novo, certo?)Depois de muito lutar contra as correntezas, a jangada segue seu rumo.III ATOO mundo dos espíritos.Alice está assustada e tristonha com as coisas que viu ao longo da viagem e na descida do rio Aqueronte, na companhia da misteriosa Jangadeira.Entre as lágrimas que embaçam sua vista, Alice consegue distinguir a silhueta de uma mulher que lava roupa suja na margem do rio, pouco adiante.Jangada e Jangadeira deixam Alice em terra e seguem seu caminho enquanto a menina vai à LAVADEIRA e pergunta a ela qual o destino final de sua jornada.(até agora, nós leitores não sabemos bem o por quê de alice ter iniciado essa jornada...quem disse que iria procurá-la era o Teotônio, certo?)A sábia mulher retruca dizendo que só dirá se Alice lhe der algo em troca.“A única coisa que tenho é esse bilhetinho da sorte e isso eu não posso te dar, mas posso cantar uma canção pra você.”A Lavadeira aceita o trato e Alice se põe a cantar uma melodia.Aos poucos a Lavadeira se deixa levar bela beleza daquela música e junta sua voz à da menina.A canção ecoa pelas planícies e montes, trazendo conforto e tranqüilidade ao coração de Alice e de todos aqueles que podem ouví-la.Até as nuvens do céu se aproximam para escutar melhor e contribuem com raios e trovões à cantoria.(interessante....normalmente os raios e trovões estão assiciados a coisas ruins...)Mais além, na margem oposta daquele mesmo rio, Teotônio se prostra exausto na areia e vê a forte tempestade que se anuncia no céu. Cansado demais para procurar abrigo, ele espera a chegada da chuva resignado quando percebe um ANJO que se aproxima dele trazendo consolo e palavras reconfortantes.O dois adormecem e sonham na areia, protegidos da tempestade por uma brisa mágica que paira sobre eles aparando as gotas da chuva.(plano temporal anterior ao canto de Alice)Ao acordar de um longo sono que pareceu durar séculos, Teotônio se vê ainda na areia, mas na outra margem do rio Aqueronte, e de lá consegue escutar a voz e o canto de Alice, que atrai todos os seres da floresta com sua melodia.O Realejeiro segue aquele som e se depara com uma grande festa, onde todos comemoram a chegada da chuva que apagou o incêndio nas matas, limpou a água do rio e a alma dos homens (ok! Mas vc não havia mencionado estes males antes...somente o lance do sangue no rio, talves naquele momento a jangadeira possa ter uma conversa com Alice sobre a face negra e cruel da humanidade).Todos os habitantes da selva cantam e dançam, convidando Teotônio para se unir à celebração. Ele então tenta tocar seu realejo, mas o PASSARIN, triste por viver sempre preso, já não pode mais cantar.Percebendo isso Teotônio escancara a gaiola e une sua voz à do pássaro, que agora entoa sua cantiga como nunca ( de quem é a cantida? De teotônio ou do passarin?).Depois de muito celebrarem com os seres da floresta, Teotônio, Alice e a Lavadeira assistem à alvorada de um novo dia.De tanto contentamento por reencontrar Teotônio, Alice se esquecera de cobrar da Lavadeira sua promessa de contar aonde terminaria seu caminho, mas a velha sábia manteve sua palavra e abriu um largo sorriso dizendo:“Não importa para onde você está indo, pois todos vão ao mesmo lugar. Um lugar aonde só as virtudes mais preciosas tem valor verdadeiro. O mais importante não é o destino, mas a maneira pela qual você percorre sua travessia.”
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
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